Doctor super star
Bom diagnóstico na mão, um desespero a menos.
**Como assim, Mariana? Um desespero a menos? Você pode morrer e fica mais tranquila quando confirma isso?? É, eu sei, não faz o mínimo sentido. E sinceramente, eu não sei explicar.
Em nenhum momento eu pensei, fudeu. Porque acho também que estava contaminada com aquele bicho do 'nada vai acontecer comigo' (ahan, senta lá, claudiá). Tava doente, mas nenhum momento pensei, 'puts, e se eu tiver 20% de chance de viver??' Sinto muito, isso, meu povo, é um atraso de vida.O tempo que você perde pensando nisso, é um segundo a menos que você perdeu da sua vida e que te paralisa por mais 10. **
E ali na sala, eu recebi o primeiro olhar que iria me acostumar naquele ano. Havia duas moças aguardando na sala também, além de mim, minha mãe e meu pai.
É um olhar de curiosidade, misturado com dó, misturado com sei lá o que. Imagina-se que no grupo de três pessoas, a probabilidade de meu pai ou minha mãe serem os pacientes é óbvia.O olhar vem quando eu me levanto da cadeira quando o médico me chama pra entrar.
Com esse médico, se foram 10 minutos de consulta, foi muito.
Fiquei MUITO brava.
Meu senhor, eu sei que você estuda oncologia há 253 anos e trata os pacientes mais raros, há 175.
Porém, o que temos não é gripe, que aparece 400 vezes na vida e já sabemos como funciona.
Uma pessoa com câncer, quando vai se tratar, geralmente nunca passou por isso na vida, e não sabe o que lhe espera.
As dúvidas são infindáveis, então não me venha com 'seu tratamento será X, preciso dos exames A,B,C,D . Sim você sentirá enjôos, o cabelo cai dependendo do paciente. Boa noite.'
Achei uma merda. Uma merda, não porque eu quisesse que ele resolvesse tudo, me pegasse no colo e me ninasse até eu dormir, depois de tanto chorar.
Mas porque pra mim, um médico tem que ser acima de tudo, humanista. Ele cuida de PESSOAS. Pessoas têm sentimentos, angústias, medos. Ok, não é função principal dele, quem faz isso é o psicológo. Mas está no pacote.
Uma pessoa que descobre que tem câncer está extremamente fragilizada, insegura. E o psicológico conta absurdamente num tratamento.Enfim, odiei esse médico estrelinha.
Tentei ir no Hospital do Câncer, que fica do lado de casa, com um médico indicado por uma conhecida.
O esquema era oposto, em vez de uma salinha private chic, numa casa que nem parecia um consultório, mas uma mansão daquela sua avó rica que vive sozinha no meio do Jardim Europa.
É um mega hospital.
Enorme, muita gente e amigão, tá todo mundo lá pelo mesmo motivo que o seu, não adianta se achar pop.
O tamanho e a quantidade de pessoas influenciam na dinâmica do tratamento. Tem burocracias e as esperas na cadeira são longas.
Mas o médico que me atendeu não me olhou como o caso 4.745 da carreira dele. Ali, eu era a Mariana, uma menina de 22 anos, que pela cara de pirralha, todos os médicos sabiam que eu tinha linfoma ( a incidência de linfoma em jovens é bem alta).
Era a Mariana que tava preocupada se o cabelo ia cair, se podia continuar fazendo ginástica quando se sentisse bem.
Era uma menina normal, que levou um susto, abriram o chão, mas tinha uma vida normal e as preocupações eram as mais naturais, pra quem estava enfrentando aquela porcaria pela primeira vez na vida.
Médico escolhido, exames a serem feitos pela frente!
**Como assim, Mariana? Um desespero a menos? Você pode morrer e fica mais tranquila quando confirma isso?? É, eu sei, não faz o mínimo sentido. E sinceramente, eu não sei explicar.
Em nenhum momento eu pensei, fudeu. Porque acho também que estava contaminada com aquele bicho do 'nada vai acontecer comigo' (ahan, senta lá, claudiá). Tava doente, mas nenhum momento pensei, 'puts, e se eu tiver 20% de chance de viver??' Sinto muito, isso, meu povo, é um atraso de vida.O tempo que você perde pensando nisso, é um segundo a menos que você perdeu da sua vida e que te paralisa por mais 10. **
Médico marcado, vamos testar.
Fui num mega star top das celebridades. Sinceramente? Uma merda. Passei por uma pré consulta com uma moça que devia ser residente, que durou uns 30 minutos.E ali na sala, eu recebi o primeiro olhar que iria me acostumar naquele ano. Havia duas moças aguardando na sala também, além de mim, minha mãe e meu pai.
É um olhar de curiosidade, misturado com dó, misturado com sei lá o que. Imagina-se que no grupo de três pessoas, a probabilidade de meu pai ou minha mãe serem os pacientes é óbvia.O olhar vem quando eu me levanto da cadeira quando o médico me chama pra entrar.
Com esse médico, se foram 10 minutos de consulta, foi muito.
Fiquei MUITO brava.
Meu senhor, eu sei que você estuda oncologia há 253 anos e trata os pacientes mais raros, há 175.
Porém, o que temos não é gripe, que aparece 400 vezes na vida e já sabemos como funciona.
Uma pessoa com câncer, quando vai se tratar, geralmente nunca passou por isso na vida, e não sabe o que lhe espera.
As dúvidas são infindáveis, então não me venha com 'seu tratamento será X, preciso dos exames A,B,C,D . Sim você sentirá enjôos, o cabelo cai dependendo do paciente. Boa noite.'
Achei uma merda. Uma merda, não porque eu quisesse que ele resolvesse tudo, me pegasse no colo e me ninasse até eu dormir, depois de tanto chorar.
Mas porque pra mim, um médico tem que ser acima de tudo, humanista. Ele cuida de PESSOAS. Pessoas têm sentimentos, angústias, medos. Ok, não é função principal dele, quem faz isso é o psicológo. Mas está no pacote.
Uma pessoa que descobre que tem câncer está extremamente fragilizada, insegura. E o psicológico conta absurdamente num tratamento.Enfim, odiei esse médico estrelinha.
Tentei ir no Hospital do Câncer, que fica do lado de casa, com um médico indicado por uma conhecida.
O esquema era oposto, em vez de uma salinha private chic, numa casa que nem parecia um consultório, mas uma mansão daquela sua avó rica que vive sozinha no meio do Jardim Europa.
É um mega hospital.
Enorme, muita gente e amigão, tá todo mundo lá pelo mesmo motivo que o seu, não adianta se achar pop.
O tamanho e a quantidade de pessoas influenciam na dinâmica do tratamento. Tem burocracias e as esperas na cadeira são longas.
Mas o médico que me atendeu não me olhou como o caso 4.745 da carreira dele. Ali, eu era a Mariana, uma menina de 22 anos, que pela cara de pirralha, todos os médicos sabiam que eu tinha linfoma ( a incidência de linfoma em jovens é bem alta).
Era a Mariana que tava preocupada se o cabelo ia cair, se podia continuar fazendo ginástica quando se sentisse bem.
Era uma menina normal, que levou um susto, abriram o chão, mas tinha uma vida normal e as preocupações eram as mais naturais, pra quem estava enfrentando aquela porcaria pela primeira vez na vida.
Médico escolhido, exames a serem feitos pela frente!
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