Jobs câncer e a morte II
[parte 2]
" Lembrar que vamos morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que temos algo a perder. Já estamos nus. Não há motivo para não seguir o coração."
... " E o mais importante, tenham a coragem de seguir seu coração, e sua intuição.´[...] Tudo o mais é secundário."
Li isso no jornal, hoje de manhã, enquanto mastigava um pedaço de pão. E percebi que sem querer, meus olhos encheram de lágrimas e me vi balançando a cabeça afirmativamente, concordando com o tal do Steve.
Sei que não sou a única a dizer isso, porque já escutei isso de outras pessoas que passaram por situações parecidas.
Pode ser difícil de entender, ou soar, talvez, como visão hiper otimista pós excesso de sofrimento. Não é.
Já escutei essa frase bordada no discurso de ex pacientes, algumas vezes.
Por isso,não me sinto nem um pouco louca em dizer isso com todas as letras e em alto bom som, ou letras em negrito.
Se puder, ainda pinto algo parecido, em algum quadro, e coloco isso pendurado na parede.
Sim, claro. Ninguém acha o máximo de um dia pro outro, aos 22 anos de idade, descobrir que tem câncer.
Também não é bacana passar por quimioterapias, vomitar durante meses, se sentir menos bonita, por mais meses ainda e frequentar o hospital, tanto quanto a casa daquela sua tia próxima que você adora.
E também morro de pavor de ter que enfrentar tudo aquilo de novo.
Uma coisa é você levar, de buenas, meses de quimioterapia, como se tivesse entrando no castelo do terror, sem saber, ao certo, o que vai ter ali.
O passeio é novo, não vai ser muito agradável, mas tem coisas que você nunca viu. E você não pode escolher não fazê-lo. Então, tá legal, vamos lá.
Outra coisa é você entrar ali e saber que, tudo o que vai sentir, do começo ao fim.
Se tivessem me descrito com todas as letras, o que eu sentiria num exame de biópsia de medula, como eu iria parar no pronto socorro depois de uma quimio, como eu ficaria ali por 4 horas vomitando a cada cinco minutos e não tendo força nem pra chorar mais... eu teria ficado apavorada.
Se dissessem que meu corpo iria mudar, ficaria com umas manchas aqui outra ali. Se dissessem que apesar de continuar com os cabelinhos, ia sentir falta daquele cabelo de antigamente, por um booom tempo.
Se dissessem que eu teria vontade de gorfar o mundo, ao chegar em casa e sentir o cheiro da minha comida preferida, e teria mais tarde trauma e não voltaria a comê-la nunca mais ( e eu AMO comer!) ...
Que chegaria ao ponto de pedir pra mudar de quarto no hotel, porque o cheiro das toalhas lavadas era o mesmo cheiro que eu sentia no hospital (lavagem industrial) e dava vontade de vomitar ...
TUDO seria mais difícil.
A ignorância é uma benção, de verdade!
Mas como qualquer trauma enorme na vida, há sempre um lado bom.
O que Steve Jobs disse praquela turma de recém formados, pode soar como uma lição de vida de um grande homem. Nada mais é que uma lição de vida de alguém que passava por uma mega barra na vida.
As coisas trágicas que relacionam-se à morte, faz com que a gente olhe ao redor e esqueça de tudo que não é importante. Faz você perceber o quanto o ser humano é estúpido.
Estúpido por trabalhar 14 horas por dia, não se dedicar à uma corrida no parque, preferir pegar o carro que ir de metrô e andar 4 quarteirões, mas ficar 3 horas empacado no engarrafamento.
Chegar em casa tão cansado, que mal conversa com a esposa e com o filho que esperou o dia inteiro por você.
Estúpido por se acumular em dívidas pra ter objetos materiais que o fazem sentir melhor ou superior aos outros.
Estúpido por se achar superior aos outros, porque tem mais dinheiro, porque é mais bonito, porque fez faculdade, porque viajou, porque é influente, porque isso, porque aquilo.
Estúpido porque ao abrir um jornal, chovem matérias sobre bancos falindo, pacotes econômicos de bilhões sendo providenciados e nada se fala sobre quantos morrerm na Àfrica por não terem acesso ao básico: comida, água, saneamento básico, remédios. Olhe o jornal, de cabo a rabo. Procure quantas matérias publica-se sobre a África. Um pobre a mais, um pobre a menos morrendo, não faz diferença. Negro ainda? Muçulmano? Ah, me poupe!
Depois compare com as que falam da Europa, do empobrecimento da classe média norte americana, de futebol ou do frisson de cineasta viciado, sem noção, num festival de cinema.
Da população no Nordeste que anda sei lá quantos km pra arranjar uma lata d'água. Praqueles que acordam 3 horas da manhã, pra andarem por horas à escola e poderem ir estudar, exaustos.
E se algum desses acima citados, estourarem a bolha em que eu vivo. Eu fecho o vidro do carro, viro pro outro lado, finjo que não vi. E aumento o volume do rádio, porque preciso saber o valor do dólar e quanto a bolsa caiu, pô, investi maior graninha lá,esse ano.
Es-tú-pi-do.
" Lembrar que vamos morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que temos algo a perder. Já estamos nus. Não há motivo para não seguir o coração."
... " E o mais importante, tenham a coragem de seguir seu coração, e sua intuição.´[...] Tudo o mais é secundário."
Li isso no jornal, hoje de manhã, enquanto mastigava um pedaço de pão. E percebi que sem querer, meus olhos encheram de lágrimas e me vi balançando a cabeça afirmativamente, concordando com o tal do Steve.
Sei que não sou a única a dizer isso, porque já escutei isso de outras pessoas que passaram por situações parecidas.
Pode ser difícil de entender, ou soar, talvez, como visão hiper otimista pós excesso de sofrimento. Não é.
O câncer foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.
Já escutei essa frase bordada no discurso de ex pacientes, algumas vezes.
Por isso,não me sinto nem um pouco louca em dizer isso com todas as letras e em alto bom som, ou letras em negrito.
Se puder, ainda pinto algo parecido, em algum quadro, e coloco isso pendurado na parede.
Sim, claro. Ninguém acha o máximo de um dia pro outro, aos 22 anos de idade, descobrir que tem câncer.
Também não é bacana passar por quimioterapias, vomitar durante meses, se sentir menos bonita, por mais meses ainda e frequentar o hospital, tanto quanto a casa daquela sua tia próxima que você adora.
E também morro de pavor de ter que enfrentar tudo aquilo de novo.
Uma coisa é você levar, de buenas, meses de quimioterapia, como se tivesse entrando no castelo do terror, sem saber, ao certo, o que vai ter ali.
O passeio é novo, não vai ser muito agradável, mas tem coisas que você nunca viu. E você não pode escolher não fazê-lo. Então, tá legal, vamos lá.
Outra coisa é você entrar ali e saber que, tudo o que vai sentir, do começo ao fim.
Se tivessem me descrito com todas as letras, o que eu sentiria num exame de biópsia de medula, como eu iria parar no pronto socorro depois de uma quimio, como eu ficaria ali por 4 horas vomitando a cada cinco minutos e não tendo força nem pra chorar mais... eu teria ficado apavorada.
Se dissessem que meu corpo iria mudar, ficaria com umas manchas aqui outra ali. Se dissessem que apesar de continuar com os cabelinhos, ia sentir falta daquele cabelo de antigamente, por um booom tempo.
Se dissessem que eu teria vontade de gorfar o mundo, ao chegar em casa e sentir o cheiro da minha comida preferida, e teria mais tarde trauma e não voltaria a comê-la nunca mais ( e eu AMO comer!) ...
Que chegaria ao ponto de pedir pra mudar de quarto no hotel, porque o cheiro das toalhas lavadas era o mesmo cheiro que eu sentia no hospital (lavagem industrial) e dava vontade de vomitar ...
TUDO seria mais difícil.
A ignorância é uma benção, de verdade!
Mas como qualquer trauma enorme na vida, há sempre um lado bom.
O que Steve Jobs disse praquela turma de recém formados, pode soar como uma lição de vida de um grande homem. Nada mais é que uma lição de vida de alguém que passava por uma mega barra na vida.
As coisas trágicas que relacionam-se à morte, faz com que a gente olhe ao redor e esqueça de tudo que não é importante. Faz você perceber o quanto o ser humano é estúpido.
Estúpido por trabalhar 14 horas por dia, não se dedicar à uma corrida no parque, preferir pegar o carro que ir de metrô e andar 4 quarteirões, mas ficar 3 horas empacado no engarrafamento.
Chegar em casa tão cansado, que mal conversa com a esposa e com o filho que esperou o dia inteiro por você.
Estúpido por se acumular em dívidas pra ter objetos materiais que o fazem sentir melhor ou superior aos outros.
Estúpido por se achar superior aos outros, porque tem mais dinheiro, porque é mais bonito, porque fez faculdade, porque viajou, porque é influente, porque isso, porque aquilo.
Estúpido porque ao abrir um jornal, chovem matérias sobre bancos falindo, pacotes econômicos de bilhões sendo providenciados e nada se fala sobre quantos morrerm na Àfrica por não terem acesso ao básico: comida, água, saneamento básico, remédios. Olhe o jornal, de cabo a rabo. Procure quantas matérias publica-se sobre a África. Um pobre a mais, um pobre a menos morrendo, não faz diferença. Negro ainda? Muçulmano? Ah, me poupe!
Depois compare com as que falam da Europa, do empobrecimento da classe média norte americana, de futebol ou do frisson de cineasta viciado, sem noção, num festival de cinema.
Da população no Nordeste que anda sei lá quantos km pra arranjar uma lata d'água. Praqueles que acordam 3 horas da manhã, pra andarem por horas à escola e poderem ir estudar, exaustos.
E se algum desses acima citados, estourarem a bolha em que eu vivo. Eu fecho o vidro do carro, viro pro outro lado, finjo que não vi. E aumento o volume do rádio, porque preciso saber o valor do dólar e quanto a bolsa caiu, pô, investi maior graninha lá,esse ano.
Es-tú-pi-do.
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