Etiquetas da vida
Um incômodo. Um negocinho ali, coçando a garganta que nem sai com choro, nem sai engolindo.
Inveja da felicidade alheia? Não.
Desejo de estar no lugar dela? Nem um pouco.
É uma mistura bem empoeirada, enfiada no baú de tudo que não foi dito, tudo que foi sentido e não mostrado, tudo que foi sofrido e não chorado, tudo que foi relevado e não digerido.
É um gostar que nunca foi confessado, um gostar que nunca virou amor, mas nunca ousou levantar a mão e dizer: 'eu estive aqui'.
E como um feto mal formado, mal viveu, viveu mal e foi enterrado. Numa cerimônia silenciosa, de um padre só e pouco choro ( as lágrimas, talvez já tinham se esgotado bem antes), poucas foram as testemunhas daquele semi amor.
Então por que aperta-lhe a garganta, ó criatura???
Não sei. Gostaria de saber.
E só consigo comparar à sensação de uma criança esperando um presente de Natal: vejo todos, ali reunidos, comemorando e comentando sobre seus lindos presentes: seus filhos, seus recém casamentos, seus novos apartamentos, suas novas chaves, suas novas viagens em casal, seus empregos, suas promoções. E eu, sem o meu. Não pedi o mesmo que todos, pedi diferente, pedi mais.
Pedi pra atravessar oceanos. Escutar sons que nunca ouvi, fonéticas que me apavoram, comidas que não conheço, costumes que me intrigam.
Pedi amigos de todas as nacionalidades, pedi frio pra usar botas e casacos, calor pra valorizar o sol e deitar na grama, descalça.Meu presente é simples, mas muito mais complicado:
pedi minha carta de alforria da vida que tenho desde que nasci.
Ele ainda não chegou e assistir aos outros ganhando seus carrinhos de controle remoto, me causa tristeza, angústia.
Não estaria feliz se tivesse com o mesmo presente. Mas não ter presente ainda, também não é confortante.
Enquanto isso, eu sento na janela e espero.
E quando chegar, vou gritar toda a minha felicidade pros próximos.
Pra você e você, apenas minha ausência e minha distância à km de oceano.
Vivendo uma vida que, a vocês, sempre parecerá muito distantes, em sentidos nada físicos.
Apenas o meu nome citado em conversas alheias e os comentários sobre minha felicidade.
Não é o mais nobre dos sentimentos, mas é minha vingança interna. Minha vingança por tudo que não recebi, por tudo que sofri, por tudo que não ouvi, por tudo que mereci e não tive.
Pela ausência, sem ao menos um aviso.
Nos vemos lá,distantes, longe e nunca mais reencontrando ... e juro que não vejo a hora.
Inveja da felicidade alheia? Não.
Desejo de estar no lugar dela? Nem um pouco.
É uma mistura bem empoeirada, enfiada no baú de tudo que não foi dito, tudo que foi sentido e não mostrado, tudo que foi sofrido e não chorado, tudo que foi relevado e não digerido.
É um gostar que nunca foi confessado, um gostar que nunca virou amor, mas nunca ousou levantar a mão e dizer: 'eu estive aqui'.
E como um feto mal formado, mal viveu, viveu mal e foi enterrado. Numa cerimônia silenciosa, de um padre só e pouco choro ( as lágrimas, talvez já tinham se esgotado bem antes), poucas foram as testemunhas daquele semi amor.
Então por que aperta-lhe a garganta, ó criatura???
Não sei. Gostaria de saber.
E só consigo comparar à sensação de uma criança esperando um presente de Natal: vejo todos, ali reunidos, comemorando e comentando sobre seus lindos presentes: seus filhos, seus recém casamentos, seus novos apartamentos, suas novas chaves, suas novas viagens em casal, seus empregos, suas promoções. E eu, sem o meu. Não pedi o mesmo que todos, pedi diferente, pedi mais.
Pedi pra atravessar oceanos. Escutar sons que nunca ouvi, fonéticas que me apavoram, comidas que não conheço, costumes que me intrigam.
Pedi amigos de todas as nacionalidades, pedi frio pra usar botas e casacos, calor pra valorizar o sol e deitar na grama, descalça.Meu presente é simples, mas muito mais complicado:
pedi minha carta de alforria da vida que tenho desde que nasci.
Ele ainda não chegou e assistir aos outros ganhando seus carrinhos de controle remoto, me causa tristeza, angústia.
Não estaria feliz se tivesse com o mesmo presente. Mas não ter presente ainda, também não é confortante.
Enquanto isso, eu sento na janela e espero.
E quando chegar, vou gritar toda a minha felicidade pros próximos.
Pra você e você, apenas minha ausência e minha distância à km de oceano.
Vivendo uma vida que, a vocês, sempre parecerá muito distantes, em sentidos nada físicos.
Apenas o meu nome citado em conversas alheias e os comentários sobre minha felicidade.
Não é o mais nobre dos sentimentos, mas é minha vingança interna. Minha vingança por tudo que não recebi, por tudo que sofri, por tudo que não ouvi, por tudo que mereci e não tive.
Pela ausência, sem ao menos um aviso.
Nos vemos lá,distantes, longe e nunca mais reencontrando ... e juro que não vejo a hora.
Comentários
Postar um comentário